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Formatos e processos de publicação

Encadernação

A encadernação reúne as técnicas de costurar, proteger e revestir os cadernos de um livro, do ofício artesanal em couro à produção industrial em tecido e cola.

  • TipoTécnica
  • PeríodoVários períodos
  • PaísesGlobal
  • Leitura5 min

Contextualização histórica

Encadernar é reunir as folhas de um livro em um corpo coeso e protegê-las com uma capa. A necessidade surgiu com o códice, forma de livro de páginas costuradas que, a partir dos primeiros séculos da era cristã, passou a substituir o rolo de papiro. Para que as folhas se mantivessem unidas e resistissem ao manuseio, foi preciso inventar a costura, a lombada e a cobertura.

Os primeiros códices de que se tem notícia tinham capas simples, muitas vezes de madeira, e a costura era exposta na lombada, como no método atribuído aos cristãos do Egito, chamado de costura copta. Na Idade Média europeia, mosteiros e oficinas de encadernadores desenvolveram o modelo de costura sobre nervos, com pranchas de madeira recobertas de couro, frequentemente decoradas e fechadas por fechos metálicos.

A invenção da imprensa multiplicou o número de livros e, com isso, o de encadernações. A partir do século XIX, a mecanização inaugurou a encadernação industrial, em que as capas passaram a ser fabricadas separadamente e aplicadas aos livros em série. Hoje convivem o ofício manual, voltado a obras de luxo e restauro, e a encadernação mecânica, que sustenta a produção em escala.

Conceitos essenciais

Costura

Fio que une os cadernos entre si, base da resistência do livro encadernado.

Lombada

Dorso do livro, onde os cadernos se unem; recebe em geral o título e o nome do autor.

Guardas

Folhas que ligam o miolo à capa, coladas na parte interna dela.

Nervos

Cordões ou tiras sobre os quais se cosem os cadernos e que, em obras antigas, aparecem em relevo na lombada.

Encadernação editorial

Encadernação feita em série pela editora, em oposição à encomendada individualmente pelo comprador.

Etapas do trabalho artesanal

O processo tradicional começa pela preparação dos cadernos: as folhas impressas são dobradas, conferidas na ordem correta e prensadas. A seguir vem a costura, em que o fio passa pelos cadernos e os une ao longo da lombada, ora sobre cordões, ora em fita. Depois da costura, a lombada pode ser arredondada e as bordas, aparadas. Em obras de qualidade, aplica-se a tranchefila, pequeno acabamento em tecido nas extremidades da lombada.

As capas, historicamente de madeira e, mais tarde, de papelão, são então revestidas de couro, pergaminho, tecido ou papel, e fixadas ao miolo pelas guardas. A etapa final é a decoração, que pode incluir douração a ferro quente, estampagem a seco, incrustações e marmoreio nas guardas ou nos cortes. Algumas encadernações históricas são consideradas obras de arte por si mesmas.

A encadernação medieval e renascentista

Na Europa medieval, os livros eram valiosos e, muitas vezes, guardados deitados em estantes ou acorrentados a bancas em bibliotecas. As pranchas de madeira recobertas de couro ofereciam resistência e peso, e metais como o latão eram aplicados nos cantos e nos fechos para proteger a capa do atrito. Livros litúrgicos de alto luxo recebiam capas de ouro, marfim ou pedras, os chamados tesouros de encadernação.

No Renascimento, a influência de técnicas do mundo islâmico, como o uso da douração em ferros, enriqueceu a ornamentação das capas na Itália e na França. Encadernadores renomados, associados a bibliófilos e a bibliotecas régias, passaram a ser reconhecidos pelo estilo, e coleções de encadernações antigas tornaram-se um campo de estudo próprio.

A industrialização

Até o início do século XIX, a maior parte dos livros impressos era vendida em brochura provisória ou em folhas soltas, e cabia ao comprador mandar encadernar. Na Inglaterra, a partir da década de 1820, difundiu-se a capa de tecido produzida separadamente e fixada ao miolo, a chamada encadernação em tela, depois adotada por editores em todo o mundo. Essa mudança transferiu para a editora a responsabilidade pelo acabamento, padronizou o aspecto dos livros e reduziu custos.

No século XX, máquinas de costura de cadernos, alceadeiras e colagem com adesivos termofusíveis consolidaram a produção em grande escala. A encadernação com cola sem costura, usada na brochura moderna, popularizou o livro de bolso, tema abordado no verbete sobre capa dura e brochura.

Conservação e restauro

A encadernação é também um tema de conservação. Couros ressecam, colas se degradam e costuras se rompem; por isso, bibliotecas e arquivos mantêm oficinas de restauro e adotam normas para armazenamento e manuseio. O princípio contemporâneo do restauro é a reversibilidade: as intervenções devem poder ser desfeitas sem dano ao original, preservando as evidências históricas, como a costura primitiva e os materiais da capa.

Os cuidados práticos são simples e eficazes: guardar os livros em ambiente de temperatura e umidade estáveis, longe da luz direta, em posição vertical sem excesso de aperto, e evitar fitas adesivas e colas não apropriadas em reparos. Instituições de guarda, como bibliotecas nacionais, mantêm laboratórios de conservação que documentam o estado de cada volume antes e depois do tratamento.

Encadernadores e ateliês

A figura do encadernador acompanhou a história do livro. Na Idade Média, muitas encadernações eram feitas nos próprios scriptoria monásticos; com a expansão da imprensa e das universidades, surgiram oficinas urbanas especializadas, organizadas em corporações de ofício. Algumas cidades europeias, como Paris, Londres e Veneza, ganharam fama pela qualidade de seus ateliês, e certos estilos de decoração passaram a ser identificados com regiões ou com épocas.

A encadernação de arte floresceu entre colecionadores e bibliófilos. Obras raras eram enviadas a ateliês para receber capas de couro fino, com desenhos dourados e mosaicos em couros de várias cores, muitas vezes concebidos em diálogo com o conteúdo do livro. Na França, o ofício de reliure d’art ganhou grande destaque nos séculos XIX e XX. Nessas obras, a encadernação é percebida como arte aplicada, e exemplares notáveis integram acervos de museus e bibliotecas.

Mesmo em escala industrial, ainda subsistem práticas artesanais, como a encadernação de teses, de registros contábeis, de livros de visita e de projetos autorais em tiragem mínima. Escolas de design e de restauro oferecem formação específica, e a encadernação manual voltou a atrair interesse como atividade criativa, associada a cadernos artesanais e a livros de artista. A técnica, em suma, continua a conectar passado e presente do livro.

Cronologia

  1. Séculos I–IVO códice de folhas costuradas difunde-se e passa a competir com o rolo.
  2. Idade MédiaDesenvolve-se na Europa a costura sobre nervos com capas de madeira revestidas de couro.
  3. Séculos XV–XVIA imprensa multiplica os livros e a douração a ferro enriquece as capas renascentistas.
  4. Década de 1820Surge na Inglaterra a encadernação industrial em tecido.
  5. Século XXMáquinas e adesivos termofusíveis consolidam a encadernação em larga escala.

Curiosidades verificáveis

  • Na costura copta, uma das mais antigas formas de encadernação conhecidas, o fio fica visível na lombada e permite que o livro abra totalmente.
  • Na Idade Média, alguns livros preciosos eram acorrentados às estantes das bibliotecas para evitar roubos.
  • A decoração dos cortes com marmoreio e douração era, além de estética, uma proteção contra a poeira.
  • A encadernação em tecido produzida em série difundiu-se na Inglaterra a partir da década de 1820.

Termos relacionados

Alceamento
Reunião dos cadernos na ordem em que serão costurados ou colados.
Tranchefila
Acabamento em fio ou tecido nas extremidades da lombada.
Marmoreio
Decoração com tintas que imitam veios de mármore, aplicada em guardas e cortes.
Douração
Aplicação de ouro em folha sobre a capa por meio de ferros aquecidos.
Aparar
Cortar as bordas do bloco de folhas para uniformizar as margens.
Brochura
Livro com capa flexível de papel ou cartão, sem capa rígida.

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Leituras internas

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Códice: o livro em páginas

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ObjetoAntiguidade

Formatos e processos de publicação

Capa dura e brochura

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ObjetoIdade Média

Formatos e processos de publicação

Formatos in-fólio, in-quarto e in-oitavo

Os formatos in-fólio, in-quarto e in-oitavo designam o número de dobras dadas à folha de papel e, por extensão, o tamanho aproximado do livro impresso.

ConceitoSéculos XV–XVIII

Curiosidades do mundo dos livros

Bibliofilia e livros raros

A bibliofilia une paixão pelo livro, colecionismo e conservação. Veja o que torna um livro raro, de incunábulos a leilões e coleções brasileiras.

ConceitoVários períodos

Referências

  • Philip Gaskell. A New Introduction to Bibliography. Oxford University Press, 1972.
  • Arthur W. Johnson. The Thames and Hudson Manual of Bookbinding.
  • Lucien Febvre e Henri-Jean Martin. L’apparition du livre. Albin Michel, 1958.
  • British Library. Materiais de referência sobre encadernação histórica.
  • Encyclopaedia Britannica. Verbete bookbinding.

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