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Formatos e processos de publicação

Impressão offset

A impressão offset transfere a imagem de uma chapa para um cilindro de borracha e daí ao papel, método que se tornou dominante na produção gráfica do século XX.

  • TipoTécnica
  • PeríodoSéculo XX
  • PaísesEstados Unidos, Reino Unido, Global
  • Leitura5 min

Contextualização histórica

A impressão offset é um processo planográfico indireto: a imagem não é impressa diretamente da chapa sobre o papel, mas passa antes por um cilindro revestido de borracha, a blanqueta. O princípio físico que a sustenta é o da litografia, técnica desenvolvida por Alois Senefelder na Alemanha, por volta de 1796–1798, baseada na repulsão entre gordura e água.

No século XX, o offset superou a tipografia como método principal para livros, revistas, jornais e embalagens. Isso se explica por razões práticas: a chapa é fina, leve e fácil de produzir fotograficamente; a blanqueta flexível se adapta a diferentes papéis; e o sistema reproduz fotografias e ilustrações com qualidade superior à da impressão por relevo de metal.

Para o mercado editorial, o offset foi decisivo para viabilizar tiragens médias e grandes a custo reduzido, e para integrar texto e imagem em uma mesma página sem as limitações da composição em chumbo. Hoje, convive com a impressão digital, que ocupa nichos de pequenas tiragens, mas continua sendo o padrão para grandes volumes.

Conceitos essenciais

Planografia

Família de processos de impressão em que a chapa é plana e as áreas de imagem e de não imagem estão no mesmo nível.

Blanqueta

Cilindro ou manta de borracha que recebe a tinta da chapa e a transfere ao papel.

Chapa

Placa, em geral de alumínio, tratada para aceitar tinta nas áreas de imagem e água nas demais.

Quadricromia

Reprodução de cores por sobreposição das tintas ciano, magenta, amarela e preta.

Computer-to-plate

Sistema em que o arquivo digital grava a chapa diretamente, sem filme intermediário.

Princípio de funcionamento

O offset se apoia na incompatibilidade entre tinta gordurosa e água. Na chapa, as áreas de imagem recebem tratamento que atrai a tinta, enquanto as demais áreas retêm uma película de solução aquosa que a repele. Cilindros umedecedores aplicam a solução e cilindros entintadores depositam a tinta; esta adere somente à imagem. Em seguida a chapa transfere a imagem à blanqueta, e esta a imprime no papel pressionado por um terceiro cilindro, o de impressão.

Como a chapa não toca o papel, ela sofre menos desgaste do que uma forma tipográfica, e a borracha, ao ser mais macia, acomoda superfícies de papel menos lisas. A imagem na chapa é lida em sentido normal, e é a inversão duplicada, chapa para blanqueta e blanqueta para papel, que a restitui corretamente na folha. Daí a designação em inglês, que remete à ideia de deslocar a imagem de um suporte para outro.

Origem e difusão

O princípio de transferência indireta foi patenteado na Inglaterra por Robert Barclay em 1875, para imprimir sobre folha de metal. A adoção para o papel é frequentemente associada ao norte-americano Ira Rubel, que por volta de 1904 teria percebido que a imagem impressa sobre um cilindro de borracha, por acaso, resultava mais nítida do que a impressão direta. Essas atribuições, sobretudo a da descoberta acidental, pertencem em parte à tradição da indústria gráfica, mas é bem documentado que o offset se difundiu comercialmente nas primeiras décadas do século XX.

A expansão foi gradual. Até meados do século, a tipografia ainda era comum em livros de texto. Com a fotocomposição e as chapas fotográficas, a partir das décadas de 1950 e 1960, o offset consolidou-se como o método dominante para livros e periódicos em muitos países.

Máquinas, papel e cores

As rotativas de bobina, que imprimem em papel contínuo e depois cortam e dobram a folha, atendem a jornais, revistas e livros de grande tiragem. As máquinas planas, alimentadas por folhas, são típicas de tiragens menores e de trabalhos de alta qualidade, como livros ilustrados. Em ambas, a cor é obtida pelo sistema de quadricromia, em que cada cor é impressa por um corpo diferente da máquina, e tintas especiais, como as metalizadas, podem complementar o conjunto.

A impressão em offset permite imprimir livros em formato de cadernos de 8, 16 ou 32 páginas, que depois são dobrados e encaminhados à encadernação, dando continuidade à lógica antiga de folhas dobradas descrita no verbete sobre formatos.

Do filme à chapa digital

Durante décadas, a chapa era gravada por exposição à luz através de um filme fotográfico produzido a partir da composição. A partir dos anos 1990, difundiu-se o sistema computer-to-plate, no qual um laser grava a imagem diretamente na chapa a partir do arquivo digital. Isso eliminou etapas intermediárias, reduziu custos e erros, e aproximou o trabalho do editor do trabalho da gráfica.

A concorrência da impressão digital, que dispensa chapas, tornou viável a impressão sob demanda e tiragens muito pequenas. Ainda assim, quando o volume cresce, o custo unitário do offset tende a ser menor, razão pela qual continua sendo o processo preferido por grandes editoras.

Impacto na produção de livros

Para as editoras, a mudança para o offset significou uma reorganização de custos. Na tipografia, o custo de compor e de preparar a forma era elevado e pouco dependia da tiragem; no offset, o custo de preparação da chapa também é considerável, mas o custo por exemplar cai rapidamente à medida que a tiragem cresce. Isso favoreceu títulos de grande circulação, livros didáticos, enciclopédias e coleções ilustradas, em que fotografias e mapas coloridos tornaram-se acessíveis a um público amplo.

Também mudou a relação entre o texto e a imagem. Com a fotocomposição e o offset, o livro passou a ser tratado como uma página de fotografia, em que diagramadores podiam combinar letras, ilustrações e filetes sem as restrições da forma de chumbo. Estilos gráficos do século XX, de manuais técnicos a livros de arte, só foram possíveis com essa flexibilidade.

Por fim, o offset condicionou o planejamento da produção. Gráficas trabalham com folhas de grandes dimensões, que rendem cadernos de múltiplos de oito páginas, e o editor precisa ajustar o número de páginas do livro a essa conta para evitar desperdício de papel. O papel, a gramatura e o acabamento escolhidos influenciam o aspecto final, e a gráfica fornece provas para aprovação. Questões ambientais, como o uso de solventes e a reciclagem de chapas, também passaram a integrar a gestão dessas empresas.

Tipografia × offset × impressão digital

CritérioTipografiaOffsetDigital
Tipo de processoRelevo, diretoPlanográfico, indiretoSem chapa, a partir de arquivo
MatrizForma de tipos de metalChapa, em geral de alumínioArquivo digital
Tiragem típicaPequena a médiaMédia a muito grandeMuito pequena a média
ImagensLimitadas, com clichêsBoa reprodução de fotografiasBoa, conforme o equipamento
Custo inicialAlto na composiçãoAlto na preparação, baixo por exemplarBaixo na preparação

Cronologia

  1. c. 1796–1798Alois Senefelder desenvolve a litografia.
  2. 1875Robert Barclay patenteia na Inglaterra o princípio da transferência offset para impressão sobre metal.
  3. c. 1904Ira Rubel é associado à adoção do offset para a impressão sobre papel nos Estados Unidos.
  4. Décadas de 1950–1960O offset passa a dominar a produção de livros e periódicos.
  5. Década de 1990O sistema computer-to-plate se difunde nas gráficas.

Curiosidades verificáveis

  • A litografia, base do offset, foi inventada por Alois Senefelder por volta de 1796–1798, antes mesmo de existir o papel industrial moderno.
  • A palavra offset remete à ideia de transferir a imagem de um cilindro a outro, e não à impressão direta da chapa sobre o papel.
  • O sistema de quadricromia usa as siglas CMYK, em que K designa o preto.
  • A chapa de impressão offset costuma ser de alumínio, material leve e de superfície fácil de tratar.

Termos relacionados

Rotativa
Máquina de impressão em que a chapa e o papel se movem continuamente em cilindros, geralmente alimentada por bobina.
Caderno
Folha impressa e dobrada que forma uma parte do livro.
Fotolito
Filme fotográfico usado para gravar a chapa.
Prova de cor
Amostra impressa para conferir as cores antes da tiragem final.
CMYK
Sigla das tintas ciano, magenta, amarelo e preto usadas na quadricromia.
Tiragem
Número de exemplares impressos de uma edição.

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InstituiçãoSéculo XX

Referências

  • Michael Twyman. Printing 1770–1970: An Illustrated History of Its Development and Uses in England. Eyre & Spottiswoode, 1970.
  • Michael Twyman. The Breaking of the Image: A History of Lithography.
  • Encyclopaedia Britannica. Verbetes offset printing e lithography.
  • Philip Gaskell. A New Introduction to Bibliography. Oxford University Press, 1972.

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