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Curiosidades do mundo dos livros

Prêmio Nobel de Literatura

O Nobel de Literatura foi concedido pela primeira vez em 1901. Conheça as regras, os casos de recusa e as ausências que alimentam debates até hoje.

  • TipoInstituição
  • PeríodoSéculo XX
  • PaísesSuécia, Global
  • Leitura5 min

Contextualização histórica

O Prêmio Nobel de Literatura é uma das cinco categorias originais previstas no testamento do químico e industrial sueco Alfred Nobel, redigido em 1895. Nobel determinou que parte de sua fortuna fosse aplicada para premiar quem, no ano anterior, tivesse conferido o maior benefício à humanidade nos campos da física, da química, da medicina, da literatura e da paz. Para a literatura, o testamento menciona a obra de tendência idealista, formulação que por décadas orientou, e dividiu, as interpretações da Academia Sueca, responsável pela escolha.

A primeira premiação ocorreu em 1901 e foi concedida ao poeta francês Sully Prudhomme. O resultado foi criticado na época: muitos esperavam que o prêmio fosse para Leon Tolstói, que nunca o recebeu. A escolha ilustra um traço permanente da instituição, que é gerar discussão pública sobre critérios, ausências e vencedores. A cerimônia de entrega ocorre em Estocolmo em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, em 1896.

A Academia Sueca, fundada em 1786, tem 18 membros vitalícios, que deliberam em sigilo. Os nomes dos indicados e dos debates ficam reservados por 50 anos, o que permite que pesquisadores consultem arquivos de décadas passadas e descubram quem esteve em disputa, como mostram estudos baseados nos registros abertos. Em geral, o resultado é anunciado em outubro.

Conceitos essenciais

Academia Sueca

Instituição fundada em 1786 que escolhe o laureado do Nobel de Literatura por deliberação de seus membros.

Laureado

Pessoa agraciada com o prêmio. O termo remete à coroa de louros da tradição clássica.

Sigilo de cinquenta anos

Regra segundo a qual os nomes dos indicados e as deliberações ficam sem divulgação por meio século.

Obra de tendência idealista

Expressão do testamento de Nobel, interpretada de modos distintos pela Academia ao longo do tempo.

Como funciona a escolha

O processo começa com convites a pessoas qualificadas para indicar candidatos, entre elas membros de academias e sociedades literárias, professores universitários de literatura e linguística e presidentes de associações de escritores. Auto-indicações não são aceitas. A Academia examina as indicações ao longo do ano, reduz a lista e, no outono do hemisfério norte, vota. O candidato precisa obter a maioria dos votos dos membros votantes.

O prêmio costuma ser concedido a um autor por vez, mas há ocasiões em que é dividido entre dois laureados. Ele distingue o conjunto de uma obra e não um livro isolado, embora o anúncio frequentemente cite um aspecto característico da escrita do autor. Não há restrição de língua, mas a premiação tem forte presença de autores de língua inglesa, francesa, alemã e espanhola, fato que gera críticas sobre eurocentrismo e que a própria Academia reconheceu ao discutir ampliar o alcance geográfico.

Marcos, recusas e silêncios

Selma Lagerlöf, em 1909, foi a primeira mulher a receber o prêmio de literatura. Rudyard Kipling, em 1907, recebeu o prêmio aos 41 anos, sendo até hoje o laureado mais jovem. Doris Lessing, em 2007, tornou-se a mais velha ao ser premiada, aos 88 anos. Gabriela Mistral foi a primeira escritora latino-americana a recebê-lo, em 1945, e Toni Morrison, em 1993, a primeira mulher negra. Winston Churchill, premiado em 1953, está entre os poucos políticos laureados e foi reconhecido por sua obra histórica e biográfica e por sua oratória.

Houve recusas. Boris Pasternak foi escolhido em 1958 e acabou declinando sob pressão das autoridades soviéticas. Jean-Paul Sartre recusou o prêmio em 1964, alegando posição de princípio contra honrarias institucionais. Em 2016, o prêmio foi para o compositor Bob Dylan, decisão que dividiu opiniões sobre os limites do conceito de literatura, e que levou o cantor a justificar sua ausência da cerimônia e a enviar um texto lido em seu nome, publicado depois.

Em alguns anos o prêmio não foi concedido. A Academia deixou de entregá-lo em 1914, 1918, 1935 e de 1940 a 1943, em geral por falta de consenso ou por circunstâncias da guerra. Em 2018, a premiação foi adiada após uma crise interna na Academia, ligada a denúncias de má conduta envolvendo pessoa próxima à instituição. Os dois prêmios foram anunciados juntos em 2019: o de 2018 para a polonesa Olga Tokarczuk e o de 2019 para o austríaco Peter Handke.

Ausências célebres e a lusofonia

A lista de escritores que nunca receberam o Nobel é frequentemente citada como prova de que o prêmio não esgota a história literária. Tolstói, mencionado desde o início, é o exemplo mais lembrado; Jorge Luis Borges, que foi indicado diversas vezes, nunca foi premiado, e o mesmo vale para vários outros nomes cuja reputação independe da honraria. Os documentos abertos após o prazo de 50 anos permitem ver como a Academia discutiu alguns desses casos.

Na língua portuguesa, o único laureado é o português José Saramago, em 1998. Nenhum autor brasileiro recebeu o prêmio até o momento. Entre os autores de língua espanhola contam-se Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Octavio Paz, nomes ligados ao realismo mágico e ao boom latino-americano, com destaque para o autor colombiano, premiado em 1982. A presença desses autores mostra como o prêmio acompanha, com atraso e discordâncias, movimentos literários já consolidados.

O efeito do Nobel sobre o mercado editorial é amplamente observado: o anúncio costuma provocar reedições, novas traduções e aumento de interesse por obras do autor premiado, inclusive de títulos antes esgotados. Editoras e livrarias preparam-se para essa demanda, e a feira do livro de Frankfurt, realizada no outono, coincide com o período dos anúncios, o que reforça o vínculo entre prêmios, circulação internacional de direitos e tradução. Ao mesmo tempo, os críticos lembram que o reconhecimento de um comitê não substitui a recepção de leitores, que ao longo das décadas reordenam reputações, resgatam esquecidos e relativizam consagrações. Escritores hoje respeitados, como Franz Kafka e Virginia Woolf, nunca foram laureados, e isso não diminuiu sua presença nos estudos literários.

Cronologia

  1. 1895Alfred Nobel redige o testamento que cria os prêmios.
  2. 1901Primeira entrega do Nobel de Literatura, a Sully Prudhomme.
  3. 1909Selma Lagerlöf torna-se a primeira mulher laureada em literatura.
  4. 1945Gabriela Mistral é a primeira escritora latino-americana premiada.
  5. 1998José Saramago recebe o prêmio.
  6. 2016Bob Dylan é premiado, o que reabre o debate sobre os limites da literatura.

Curiosidades verificáveis

  • O primeiro Nobel de Literatura foi entregue em 1901 ao poeta francês Sully Prudhomme, e não a Tolstói, que nunca o recebeu.
  • Rudyard Kipling, premiado em 1907 aos 41 anos, é o laureado mais jovem, e Doris Lessing, aos 88 anos em 2007, a mais velha.
  • Jean-Paul Sartre recusou o prêmio em 1964, e Boris Pasternak declinou em 1958 sob pressão do governo soviético.
  • Os nomes dos indicados e as deliberações permanecem sigilosos por 50 anos.
  • José Saramago, premiado em 1998, é até hoje o único laureado de língua portuguesa.

Termos relacionados

Testamento de Nobel
Documento de 1895 que definiu as áreas e a finalidade dos prêmios.
Indicação
Proposta formal de um candidato por pessoa autorizada pela Academia.
Cerimônia de Estocolmo
Entrega dos prêmios realizada em 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel.
Medalha e diploma
Insígnias entregues ao laureado, acompanhadas de um valor em dinheiro definido anualmente.
Cânone
Conjunto de obras e autores reconhecidos como referência por uma tradição cultural.

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Referências

  • NobelPrize.org. Nobel Prize in Literature, Facts and Nomination Archive. The Nobel Foundation.
  • Encyclopaedia Britannica. Verbete “Nobel Prize”.
  • Kjell Espmark. The Nobel Prize in Literature: A Study of the Criteria behind the Choices. G. K. Hall, 1991.
  • Burton Feldman. The Nobel Prize: A History of Genius, Controversy, and Prestige. Arcade, 2000.

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