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Editoras e mercado editorial

Penguin Books e o livro de bolso

Fundada por Allen Lane em Londres em 1935, a Penguin popularizou no mundo anglófono a brochura barata de qualidade e marcou o mercado do livro de bolso.

  • TipoInstituição
  • PeríodoSéculo XX
  • PaísesReino Unido, Global
  • Leitura4 min

Contextualização histórica

A Penguin Books foi fundada em 1935, em Londres, por Allen Lane (1902-1970), então ligado à editora Bodley Head. Segundo o relato tradicional, a ideia teria surgido numa viagem de trem, quando Lane, sem encontrar boa leitura barata numa estação, concluiu que havia espaço para livros de qualidade vendidos a preço acessível. Em julho de 1935 saíram os dez primeiros títulos, a seis pence cada, entre eles obras de Ernest Hemingway, Agatha Christie e Dorothy L. Sayers, além da biografia romanceada Ariel, de André Maurois.

A Penguin não inventou a brochura nem a edição barata. Já havia coleções populares, como as edições de bolso da casa alemã Tauchnitz, voltadas ao público de língua inglesa na Europa continental, e a Albatross, lançada em 1932. A novidade esteve na combinação de preço muito baixo, tiragens grandes, distribuição fora do circuito tradicional de livrarias, nomes de autores reconhecidos e identidade visual forte. Isso converteu a ideia de um livro leve, barato e respeitável em modelo para o setor.

A empresa tornou-se independente da Bodley Head em 1936. Nas décadas seguintes ampliou o catálogo e criou selos próprios, dentre eles a Pelican, voltada à não ficção de divulgação, e a Puffin, para o público infantil. O nome “Penguin” passou a ser quase sinônimo de livro de bolso no Reino Unido, e o formato dos volumes e o desenho do pinguim se mantiveram como parte da memória gráfica do século XX.

Conceitos essenciais

Livro de bolso

Livro em brochura, de formato reduzido e preço baixo, pensado para circulação em massa e leitura portátil.

Edição popular

Edição de custo reduzido destinada a um público amplo, em geral reimprimindo obras já consagradas.

Selo editorial

Marca ou linha dentro de uma editora, dedicada a um gênero, público ou projeto específico.

Identidade visual

Conjunto de elementos gráficos, como cores, logotipo e grades de capa, que tornam uma coleção reconhecível.

O modelo econômico

O preço de seis pence aproximava o livro de itens de consumo corrente, como um maço de cigarros. Para que isso fosse viável, a Penguin precisava de tiragens muito altas por título e de acordos com as editoras originais, que cediam direitos de brochura de obras já publicadas em capa dura. A primeira reação do setor foi cética, e parte do sucesso inicial veio de encomendas de varejistas fora do mercado de livrarias, que passaram a vender os volumes em lojas de departamentos e em quiosques.

A lógica é a do ciclo de vida do livro: primeiro a edição de capa dura, mais cara, depois a brochura barata para um público ampliado. Esse esquema, que hoje parece natural, foi consolidado pela expansão das edições de bolso ao longo do século XX e se relaciona com as diferenças técnicas entre capa dura e brochura.

Design e padronização

As capas dos primeiros volumes seguiam um código de cores por gênero: laranja para ficção geral, verde para policial, azul-escuro para biografia, entre outras. A faixa horizontal central trazia o título e o nome do autor, e o logotipo do pinguim, desenhado por Edward Young, aparecia na parte superior ou inferior. A coerência gráfica fazia o leitor reconhecer a coleção antes mesmo de ler o título.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o tipógrafo suíço Jan Tschichold dirigiu o design da editora por alguns anos, na segunda metade da década de 1940, e estabeleceu normas de composição que uniformizaram margens, espaçamentos e tipos em todos os livros. Sua intervenção costuma ser citada como exemplo de padronização editorial de alto nível.

Clássicos, não ficção e o caso Chatterley

Em 1937 surgiu o selo Pelican, de não ficção, e em 1940 o Puffin, de livros infantis. Em 1946, com a tradução da Odisseia feita por E. V. Rieu, nasceu a Penguin Classics, coleção que levou obras da Antiguidade e de outras tradições a um público muito maior do que o dos meios acadêmicos. Esse movimento se alinha, em outro contexto, à tradição de edições acessíveis de clássicos iniciada por Aldo Manúcio.

Em 1960, a editora foi processada na Inglaterra por obscenidade ao publicar o romance O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, em edição integral. O tribunal absolveu a Penguin em novembro daquele ano, e o julgamento passou a ser tratado como marco na história da censura literária e da liberdade de publicação no Reino Unido.

Expansão e reorganizações

A Penguin abriu capital em 1961 e foi adquirida pelo grupo Pearson em 1970, ano da morte de Allen Lane. Em 2013, as operações editoriais da Penguin e da Random House foram unificadas, dando origem ao grupo Penguin Random House, do qual a Pearson e a Bertelsmann foram acionistas na formação. A marca segue em uso em vários países e em diferentes selos.

Fora do Reino Unido, o conceito de coleção de bolso se espalhou por vários mercados. Nos Estados Unidos, a Pocket Books, de Robert de Graff, lançou em 1939 seus livros de bolso, em um modelo semelhante. No Brasil, o formato foi adotado por coleções específicas de grandes editoras ao longo das décadas seguintes.

O sucesso da Penguin também dependeu de um contexto social. Na Grã-Bretanha dos anos 1930, a ampliação da alfabetização, o crescimento das bibliotecas circulantes e o interesse por cultura de massa criavam público para a leitura barata. Durante a Segunda Guerra Mundial, o racionamento de papel limitou tiragens, mas os livros da editora circularam entre soldados e civis, e a marca consolidou-se como parte da vida cotidiana. A difusão do formato mudou a maneira como autores e editores pensavam o ciclo comercial de uma obra: a brochura deixou de ser um produto marginal e passou a ser a forma principal de contato do grande público com a literatura e a divulgação científica.

Livro de bolso × brochura comum × capa dura

CritérioLivro de bolsoBrochura comumCapa dura
FormatoReduzido, portátilMédio, variávelMédio ou grande
EncadernaçãoCola ou costura simplesCola ou costuraCapa rígida, costura frequente
Preço relativoMenorIntermediárioMaior
PapelMais econômicoVariávelEm geral de maior gramatura
Uso típicoLeitura corrente, reediçãoPrimeira edição ou reediçãoLançamentos e edições de coleção

Cronologia

  1. 1932A editora Albatross lança volumes de bolso na Europa continental.
  2. 1935Allen Lane lança os dez primeiros títulos da Penguin Books.
  3. 1937Criação do selo Pelican, de não ficção.
  4. 1940Criação do selo infantil Puffin.
  5. 1946Lançamento da Penguin Classics com a Odisseia de E. V. Rieu.
  6. 1960Julgamento da Penguin por obscenidade na publicação de O amante de Lady Chatterley.
  7. 2013Fusão das operações editoriais Penguin e Random House.

Curiosidades verificáveis

  • Os dez primeiros títulos da Penguin saíram em julho de 1935 e custavam seis pence cada.
  • O pinguim do logotipo foi desenhado por Edward Young, jovem funcionário da casa.
  • O processo contra a edição de O amante de Lady Chatterley, em 1960, terminou com a absolvição da editora.
  • A Penguin Classics estreou em 1946 com a tradução da Odisseia por E. V. Rieu.

Termos relacionados

Brochura
Livro com capa flexível de papel ou cartão, colada ou costurada ao miolo.
Direitos de brochura
Licença para publicar em edição de bolso ou brochura uma obra lançada antes em capa dura.
Tiragem
Número de exemplares impressos de uma edição.
Pelican
Selo da Penguin dedicado a livros de divulgação de ciência, história e ciências humanas.
Puffin
Selo da Penguin voltado à literatura infantil.
Fundo editorial
Conjunto de títulos que a editora mantém em catálogo e continua a vender.

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Leituras internas

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Capa dura e brochura

Capa dura e brochura são os dois acabamentos básicos do livro moderno e refletem escolhas de custo, durabilidade e público ligadas à história do mercado editorial.

ObjetoSéculo XX

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Humanista e impressor, Aldo Manúcio fundou em Veneza, por volta de 1495, a oficina aldina, ligada ao grego, ao tipo itálico e ao livro de formato pequeno.

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Como surgiram as listas de mais vendidos, o que elas realmente medem e por que as estimativas de vendas históricas devem ser lidas com cautela.

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Da lista de livros proibidos da Igreja aos processos por obscenidade e à censura no Brasil, a história de obras silenciadas e do debate sobre a leitura.

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ISBN: o número padrão do livro

O ISBN identifica cada edição de um livro com um código numérico único, criado nos anos 1960 e normatizado pela ISO em 1970, base do comércio e das bibliotecas.

ConceitoSéculo XX

Formatos e processos de publicação

Processo editorial: do original ao livro

O processo editorial reúne as etapas pelas quais um original se torna livro: avaliação, contrato, edição, revisão, projeto gráfico, impressão e distribuição.

ConceitoVários períodos

Referências

  • Jeremy Lewis. Penguin Special: The Life and Times of Allen Lane. Viking, 2005.
  • Steve Hare (org.). Penguin Portrait: Allen Lane and the Penguin Editors, 1935-1970. Penguin, 1995.
  • Encyclopaedia Britannica. Verbete Penguin Books.
  • British Library. Acervos e materiais sobre a história da edição popular britânica no século XX.

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