ISBN: o número padrão do livro
O ISBN identifica cada edição de um livro com um código numérico único, criado nos anos 1960 e normatizado pela ISO em 1970, base do comércio e das bibliotecas.
Contextualização histórica
O ISBN (International Standard Book Number, ou Número Padrão Internacional de Livro) é um código numérico que identifica de modo único uma edição de um livro ou produto editorial semelhante, como um e-book ou um audiolivro. Cada formato e cada edição recebem seu próprio número, o que permite distinguir, por exemplo, uma edição em capa dura de outra em brochura do mesmo título. O sistema é regulado pela norma ISO 2108 e é usado por editoras, livrarias, distribuidores e bibliotecas em praticamente todo o mundo.
A origem do sistema está no Reino Unido, em 1966, quando as empresas W. H. Smith, rede de livrarias, e Whitaker, tradicional fornecedora de informação bibliográfica, buscaram um modo de automatizar o controle de pedidos e estoques. O matemático Gordon Foster, do Trinity College, em Dublin, é associado à criação do esquema de nove dígitos chamado SBN (Standard Book Numbering), que inspirou o formato internacional. Em 1970, a Organização Internacional de Normalização (ISO) adotou a norma, com o nome ISBN.
A numeração resolveu um problema prático. Títulos idênticos podiam ser editados por diferentes casas, em formatos distintos e com tiragens sucessivas, o que tornava o controle manual lento e sujeito a erros. Um identificador padronizado permitiu a integração de catálogos, pedidos, devoluções e levantamentos de vendas, em sintonia com a mecanização do comércio e das bibliotecas ao longo do século XX.
Do ponto de vista histórico, o ISBN também se insere na tradição de organização do conhecimento que vai dos catálogos de feira do século XVI às fichas de biblioteca e aos catálogos coletivos. Cada geração criou instrumentos para localizar livros com mais precisão, e o ISBN é o equivalente do século XX, adaptado à escala industrial da produção editorial. Seu uso por bibliotecas, livrarias e sistemas on-line fez dele uma espécie de linguagem comum do setor.
Conceitos essenciais
Dígito verificador
Último algarismo do ISBN, calculado a partir dos demais para detectar erros de digitação ou transmissão.
Prefixo de grupo
Parte do número que indica o país, a região ou o idioma de registro da editora.
Elemento do registrante
Parte do número que identifica a editora ou o responsável pela publicação.
Elemento da publicação
Parte do número que identifica o título e a edição específica dentro do catálogo do registrante.
Estrutura do número
Até 2006, o ISBN tinha dez dígitos, divididos em quatro partes: grupo, registrante, publicação e dígito verificador. O último algarismo era calculado por um método baseado em módulo 11, podendo ser o símbolo X quando o resultado fosse dez. Esse arranjo foi suficiente por décadas, mas o crescimento do número de títulos ameaçava esgotar as combinações disponíveis.
Em 1º de janeiro de 2007, passou a ser obrigatório o ISBN de treze dígitos, que acrescenta ao início um prefixo de três dígitos (978 ou 979) e se alinha ao sistema de códigos de barras EAN-13 usado no varejo em geral. O dígito verificador passou a ser calculado por um método de módulo 10, com pesos alternados de 1 e 3. Muitos números antigos foram convertidos ao novo padrão pelo acréscimo do prefixo 978 e pelo recálculo do último dígito.
Administração e agências
O sistema é coordenado pela Agência Internacional do ISBN, sediada em Londres, que atribui os prefixos de grupo, e executado por agências nacionais ou regionais. Cada agência fornece blocos de números às editoras e autores de seu território. No Brasil, a atribuição foi durante décadas responsabilidade da Biblioteca Nacional; a partir de 2020, passou à Câmara Brasileira do Livro, que opera a Agência Brasileira do ISBN.
No esquema brasileiro, o grupo 85 foi utilizado por muitos anos e, com o esgotamento de suas combinações, passou-se a usar também o grupo 65. Por isso, livros brasileiros mais recentes aparecem com números iniciados por 978-65, enquanto títulos antigos exibem 978-85.
Uso prático
O ISBN costuma aparecer na página de créditos do livro e na quarta capa, em forma numérica e em código de barras. Livrarias, bibliotecas e plataformas de venda usam o número para encontrar a edição correta, e sistemas de catalogação, como os de bibliotecas nacionais, o incorporam aos registros. Também integra a ficha catalográfica de muitas obras, que reúne dados bibliográficos padronizados.
É importante notar o que o ISBN não faz. Ele identifica a edição, mas não comprova autoria, qualidade ou direitos autorais, e sua atribuição não substitui o registro de obras em órgãos competentes. Para periódicos, como revistas e jornais, existe outro número, o ISSN. A obtenção do ISBN também não é uma exigência técnica para a produção de um livro, mas é na prática indispensável para a distribuição comercial.
Na prática cotidiana de uma editora, o ISBN faz parte do planejamento de cada lançamento. O responsável pela produção solicita o número antes da impressão, pois ele precisa constar da página de créditos e do código de barras da capa. Um erro nessa etapa, como a repetição de um número em dois títulos, pode causar confusão em pedidos, devoluções e registros de bibliotecas, de modo que as editoras mantêm controle interno dos blocos adquiridos. Esse cuidado conecta o ISBN ao processo editorial como um todo, do original ao livro pronto, e explica por que ele é tratado como informação básica de qualquer ficha técnica.
Mudanças de formato e desafios
A expansão dos livros digitais e da autopublicação aumentou a demanda por números. Cada versão de um livro, como e-book, edição impressa ou audiolivro, necessita de ISBN próprio quando é comercializada como produto distinto. Revisões menores, contudo, geralmente não demandam um novo número, enquanto mudanças substanciais de conteúdo ou de formato sim.
Em paralelo, plataformas de venda on-line criaram identificadores internos próprios, que convivem com o ISBN. O código permanece, apesar disso, como a base comum para a troca de informações entre editoras, distribuidores e bibliotecas. Em um mercado marcado por feiras de direitos como a de Frankfurt, a padronização facilita a comunicação entre países e línguas.
ISBN-10 × ISBN-13 × ISSN
| Critério | ISBN-10 | ISBN-13 | ISSN |
|---|---|---|---|
| Objeto identificado | Edição de livro | Edição de livro | Publicação seriada, como revistas |
| Extensão | 10 dígitos | 13 dígitos | 8 dígitos |
| Período de uso | De 1970 a 2006, como padrão | Desde 2007 | Desde a década de 1970 |
| Dígito verificador | Módulo 11, podendo ser X | Módulo 10, com pesos 1 e 3 | Módulo 11, podendo ser X |
| Relação com o código de barras | Convertido para EAN | Compatível com EAN-13 | Adaptado ao sistema de barras de periódicos |
Cronologia
- 1966W. H. Smith e Whitaker, no Reino Unido, adotam o Standard Book Numbering (SBN), de nove dígitos.
- 1970A ISO adota a norma ISO 2108, criando o ISBN de dez dígitos.
- 1972Criação da Agência Internacional do ISBN, em Berlim, para coordenar o sistema.
- 2007Entra em vigor o ISBN de treze dígitos, compatível com o EAN-13.
- 2020No Brasil, a Agência Brasileira do ISBN passa da Biblioteca Nacional para a Câmara Brasileira do Livro.
Curiosidades verificáveis
- Antes de 2007, o ISBN tinha dez dígitos; desde então, tem treze.
- Os prefixos 978 e 979 dos ISBN de treze dígitos compartilham o sistema de códigos de barras EAN-13.
- O ISBN de dez dígitos podia terminar com a letra X, que representava o valor dez.
- Os livros brasileiros mais recentes costumam ter ISBN iniciado por 978-65, enquanto os mais antigos têm 978-85.
Termos relacionados
- ISO 2108
- Norma internacional que define a estrutura e o uso do ISBN.
- EAN-13
- Padrão de código de barras de treze dígitos usado no comércio varejista mundial.
- ISSN
- Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas, como jornais e revistas.
- Ficha catalográfica
- Registro bibliográfico padronizado, impresso no verso da folha de rosto, com dados da obra.
- Agência nacional do ISBN
- Entidade que distribui números a editoras e autores de determinado país.
- Autopublicação
- Modelo em que o próprio autor assume a produção e a divulgação de seu livro.
Leituras internas
Formatos e processos de publicação
Processo editorial: do original ao livro
O processo editorial reúne as etapas pelas quais um original se torna livro: avaliação, contrato, edição, revisão, projeto gráfico, impressão e distribuição.
ConceitoVários períodos
Formatos e processos de publicação
Livro digital e e-readers
O livro digital reúne arquivos de texto lidos em telas e dispositivos dedicados, os e-readers, que se popularizaram a partir da segunda metade dos anos 2000.
ObjetoSéculo XXI
Formatos e processos de publicação
Audiolivro
O audiolivro é a gravação sonora de uma obra lida em voz alta, que nasceu como recurso de acessibilidade e se tornou formato comercial de grande alcance.
ObjetoSéculo XX
Formatos e processos de publicação
Capa dura e brochura
Capa dura e brochura são os dois acabamentos básicos do livro moderno e refletem escolhas de custo, durabilidade e público ligadas à história do mercado editorial.
ObjetoSéculo XX
Editoras e mercado editorial
Feira do Livro de Frankfurt
Maior feira de livros do mundo em negociação de direitos, a de Frankfurt tem raízes no século XV e foi retomada em 1949, com participação de editores de dezenas de países.
EventoVários períodos
Editoras e mercado editorial
Estatuto da Rainha Ana e o direito autoral
Em vigor desde 1710, o Estatuto da Rainha Ana foi a primeira lei de copyright do mundo, deslocando o controle das cópias dos livreiros para os autores.
EventoSéculos XV–XVIII
Referências
- International ISBN Agency. ISBN Users' Manual. Edição internacional.
- International Organization for Standardization (ISO). ISO 2108: Information and documentation, International standard book number (ISBN).
- Encyclopaedia Britannica. Verbete International Standard Book Number.
- Câmara Brasileira do Livro. Informações da Agência Brasileira do ISBN.
Veja como o conteúdo é produzido e corrigido na política editorial.